Antes de iniciar o
tratamento da radioterapia tive que fazer uma tomografia, exame necessário para
o planejamento da rádio. Então lá fui eu para o tal exame (tomografia) que
nunca havia feito, encontrei uma equipe de profissionais tão bem treinados que
apesar de fazer aquele trabalho diariamente e por várias vezes ao dia, eles se
esquecem que para muitos como eu era a 1ª vez, e o PADRÃO estava perfeito,
entretanto faltou alinhar calor humano ao padrão e ai tudo ocorreu muito
robotizado. Não sabia se iria doer, se demoraria, o que afinal aquela máquina
que mais parecia um avião iria fazer, enfim alguns detalhes que para eles
poderiam ser irrelevantes porém ali estava uma paciente, tensa e preocupada com
os próximos passos.
No dia 06/12/2013 foi o meu
1º dia da radioterapia e tive um dia bastante tumultuado, fui a dois médicos
acompanhando meu esposo e quando chegamos em casa meu filho estava queimando em
febre, e lá fomos ao médico novamente. Acabei chegando em cima da hora da
minha sessão e não fazia a mínima ideia do que iria acontecer.
Segue alguns registros das
minhas sessões de radioterapia.
No 1º dia, deparei-me com a
seguinte fala de um paciente que estava aguardando a sua sessão:
- Fiz uma pesquisa e
constatei que quando o tempo está nublado as pessoas ficam deprimidas e as que
estão nos hospitais pioram seu quadro clinico.
Fiquei observando aquele
senhor e pensei: Por que será que ele estava colocando culpa no tempo
para seu quadro de tristeza ou depressão? Quantas vezes fazemos isso,
atribuímos a outras pessoas e/ou outros fatores a culpa pelo nosso estado
emocional?
Desviei meu olhar e tentei
me concentrar no meu anjo da guarda, meu querido irmão Sidney que me
acompanhava naquele dia, e percebi que ele estava muito nervoso naquele
ambiente onde entravam e saiam várias pessoas em tratamento de vários tipos de
câncer, uns com sinais físicos aparentes e outros não. Percebi que ele falava sem
parar, tentando disfarçar o seu nervosismo e até mesmo na tentativa de me
distrair e me fazer sentir melhor (ou menos pior).
O clima é triste e as pessoas que ali estavam
em sua maioria estavam acompanhadas, todos aguardando a sua vez de ir para a
¨sala da radioterapia¨, os olhares eram vagos e as pessoas procuravam falar o
menos possível.
Porém um encantamento
acontecia, quando a porta se abria e os técnicos chamavam o paciente pelo nome, o
semblante das pessoas se irradiavam indo em direção aquela porta, como se aquela porta
levasse em direção a um ação prática para ¨resolver¨ seu problema.
Fiquei muito curiosa, para
saber o que acontecia após aquela porta e quando chegou minha vez, fui recebida
por um técnico muito simpático. Desci uma longa rampa, que levava em direção a
uma sala grande onde me esperava três técnicos, e fui orientada a vestir um jaleco com abertura
para frente. Após me vestir, deitei-me em uma maca embaixo de um aparelho que mais
parecia um ¨olho gigante¨,
os técnicos me posicionaram tendo como referência a
marcação da tomografia onde eu deveria receber a radiação. Após isso e
validação da precisão pelo médico, os técnicos se retiraram da sala e eu fiquei ali sozinha com ¨o olho gigante¨. Após acionada, a máquina começou a fazer
um barulho e eu senti umas ondas em direção aos meus seios, esta máquina fica
acionada por no máximo 10 minutos, não existe dor, apenas a sensação das ondas.
Após este tempo, a máquina é desligada automaticamente e os técnicos voltam e
orientam a vestir novamente a roupa, dando por encerrado a sessão. É tudo muito
rápido, e não senti nada.
Por isso estou aqui
escrevendo alguns detalhes sobre o procedimento da radioterapia para tirar
algumas dúvidas e desmitificar o tratamento em si, pois na internet as
informações são muito técnicas.
No 2º dia da radioterapia,
também não senti nada durante a sessão da radioterapia. Mas comecei a sentir um
cansaço e minhas pernas pareciam que pesavam uma tonelada cada uma, e os seios
começaram a doer.
Assim se seguiu as demais
sessões de radioterapia, e no dia 16/12 eu estava completando 10 sessões
faltando ainda 15 sessões para acabar. Continuei sentindo muito cansaço físico
e minhas pernas doíam muito.
Fui orientada a caminhar e
beber bastante água, para aliviar estas dores.
Quando completei 21 sessões,
estava muito exausta e meu seio ardia muito.
No dia 10/01/2014 encerrei
minhas 25 sessões de radioterapia e senti tristeza ao me despedir dos amigos que lá
fiz durante o tratamento.
Reflexão:
Será que exercemos nossas profissões de forma
tão robotizada que esquecemos de olhar as pessoas a nossa volta? Pensem nisso.......e coloquemos mais calor humanos nas nossas atividades.








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