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quarta-feira, 29 de janeiro de 2014

A radioterapia


Antes de iniciar o tratamento da radioterapia tive que fazer uma tomografia, exame necessário para o planejamento da rádio. Então lá fui eu para o tal exame (tomografia) que nunca havia feito, encontrei uma equipe de profissionais tão bem treinados que apesar de fazer aquele trabalho diariamente e por várias vezes ao dia, eles se esquecem que para muitos como eu era a 1ª vez, e o PADRÃO estava perfeito, entretanto faltou alinhar calor humano ao padrão e ai tudo ocorreu muito robotizado. Não sabia se iria doer, se demoraria, o que afinal aquela máquina que mais parecia um avião iria fazer, enfim alguns detalhes que para eles poderiam ser irrelevantes porém ali estava uma paciente, tensa e preocupada com os próximos passos.

No dia 06/12/2013 foi o meu 1º dia da radioterapia e tive um dia bastante tumultuado, fui a dois médicos acompanhando meu esposo e quando chegamos em casa meu filho estava queimando em febre, e lá fomos ao médico novamente. Acabei chegando em cima da hora da minha sessão e não fazia a mínima ideia do que iria acontecer.

Segue alguns registros das minhas sessões de radioterapia.

No 1º dia, deparei-me com a seguinte fala de um paciente que estava aguardando a sua sessão:

- Fiz uma pesquisa e constatei que quando o tempo está nublado as pessoas ficam deprimidas e as que estão nos hospitais pioram seu quadro clinico.

Fiquei observando aquele senhor e pensei: Por que será que ele estava colocando culpa no tempo para seu quadro de tristeza ou depressão? Quantas vezes fazemos isso, atribuímos a outras pessoas e/ou outros fatores a culpa pelo nosso estado emocional?

Desviei meu olhar e tentei me concentrar no meu anjo da guarda, meu querido irmão Sidney que me acompanhava naquele dia, e percebi que ele estava muito nervoso naquele ambiente onde entravam e saiam várias pessoas em tratamento de vários tipos de câncer, uns com sinais físicos aparentes e outros não. Percebi que ele falava sem parar, tentando disfarçar o seu nervosismo e até mesmo na tentativa de me distrair e me fazer sentir melhor (ou menos pior).

O clima é triste e as pessoas que ali estavam em sua maioria estavam acompanhadas, todos aguardando a sua vez de ir para a ¨sala da radioterapia¨, os olhares eram vagos e as pessoas procuravam falar o menos possível.

Porém um encantamento acontecia, quando a porta se abria e os técnicos chamavam o paciente pelo nome, o semblante das pessoas se irradiavam indo em direção aquela porta, como se aquela porta levasse em direção a um ação prática para ¨resolver¨ seu problema.

Fiquei muito curiosa, para saber o que acontecia após aquela porta e quando chegou minha vez, fui recebida por um técnico muito simpático. Desci uma longa rampa, que levava em direção a uma sala grande onde me esperava três técnicos, e fui orientada a vestir um jaleco com abertura para frente. Após me vestir, deitei-me em uma maca embaixo de um aparelho que mais parecia um ¨olho gigante¨,
os técnicos me posicionaram tendo como referência a marcação da tomografia onde eu deveria receber a radiação. Após isso e validação da precisão pelo médico, os técnicos se retiraram da sala e eu fiquei ali sozinha com ¨o olho gigante¨. Após acionada, a máquina começou a fazer um barulho e eu senti umas ondas em direção aos meus seios, esta máquina fica acionada por no máximo 10 minutos, não existe dor, apenas a sensação das ondas. Após este tempo, a máquina é desligada automaticamente e os técnicos voltam e orientam a vestir novamente a roupa, dando por encerrado a sessão. É tudo muito rápido, e não senti nada.

Por isso estou aqui escrevendo alguns detalhes sobre o procedimento da radioterapia para tirar algumas dúvidas e desmitificar o tratamento em si, pois na internet as informações são muito técnicas.

No 2º dia da radioterapia, também não senti nada durante a sessão da radioterapia. Mas comecei a sentir um cansaço e minhas pernas pareciam que pesavam uma tonelada cada uma, e os seios começaram a doer.





Assim se seguiu as demais sessões de radioterapia, e no dia 16/12 eu estava completando 10 sessões faltando ainda 15 sessões para acabar. Continuei sentindo muito cansaço físico e minhas pernas doíam muito.

Fui orientada a caminhar e beber bastante água, para aliviar estas dores.

Quando completei 21 sessões, estava muito exausta e meu seio ardia muito.

No dia 10/01/2014 encerrei minhas 25 sessões de radioterapia e senti tristeza ao me despedir dos amigos que lá fiz durante o tratamento.


Reflexão:
Será que exercemos nossas profissões de forma tão robotizada que esquecemos de olhar as pessoas a nossa volta? Pensem nisso.......e  coloquemos mais calor humanos nas nossas atividades.

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