Depois daquela noite
agitada, conforme relatei no artigo anterior ¨Não Houve o dia Seguinte¨, chegou
a minha hora.
Após a limpeza do quarto,
retornarmos para suas respectivas camas e não demorou muito para que uma
enfermeira se aproximasse e me dissesse que iria aplicar um remédio no soro e
que minha cirurgia iria acontecer as 10hs.
Minha irmã e cunhada, após o
impacto da notícia sobre a morte da Rita na noite anterior estavam tensas e
preocupadas, afinal eu iria ser submetida a uma cirurgia importante.
Quando pensamos em cirurgia, remetemos os pensamentos ao Centro Cirúrgico e é para lá que eu iria dali
a algumas horas.
Nunca havia sido submetida a
uma cirurgia de grande proporção e portanto não fazia a menor ideia do que
aconteceria neste tal Centro Cirúrgico, e por isso quero relatar agora a minha
percepção para os que não tiveram, graças a Deus, a oportunidade de conhecer.
Sai do quarto de cadeiras de
rodas direto para o Centro Cirúrgico, minha irmã e cunhada me acompanharam até
lá.
Meu coração batia forte pois
não fazia a mínima ideia do que me esperava. Chegamos em uma antessala pequena
com televisão e cadeiras, onde era o limite para os acompanhantes que poderiam permanecer
ali para obterem informações sobre o andamento da cirurgia.
Já dentro do centro cirúrgico, as enfermeiras
me entregam um roupão e uma sacola plástica e solicitou que tirasse toda a minha
roupa e pertence e colocasse naquela sacola plástica.
Quando iniciei aqueles
movimentos de retirada das roupas, anéis, relógio, cordão com um pingente,
pulseira e fui colocando um a um na sacola plástica tive um sentimento forte e
acredito que fiquei uns longos e intermináveis segundos fazendo uma rápida retrospectiva de toda minha vida.
Após tudo colocado na sacola
e entregue as enfermeiras, fiquei ali completamente nua e me sentindo muito vulnerável,
como se tivessem tirado de mim toda minha proteção e eu estivesse exposta a
todos os riscos imagináveis.
Fiquei pensando o que será
que passa na cabeça das pessoas que estão naquela antessala e recebem apenas uma
sacola plástica com os pertences de seus entes queridos?
A partir daquele momento,
existe uma parede que separa você de tudo e de todos e não é mais possível abraçar,
ou dizer palavras de carinho que por ventura deixaram de serem ditas antes de você entrar naquela sala. Não
podemos esquecer que muitos não retornam e que o ultimo olhar e /ou palavras
foram aquelas proferidas antes de entrar no Centro Cirúrgico.
Enfim não teria volta, tinha
que caminhar em direção a maca, cheia de aparelhos e com muitos médicos e enfermeiros me olhando e tentando dizer palavras de encorajamento.
Fiquei meio sem graça e tentei
descontrair, mas a tensão e nervosismo era muito grande.
Olhei para aquela sala fria
sem cores e muito bem aparelhada, a maca estava coberta por lençóis brancos e havia
aproximadamente uns dez profissionais entre médicos e enfermeiros, todos vestidos
de azul.
Pronto! Mal acabei de deitar
na maca, todos começaram a trabalhar, após os técnicos instalarem aquele monte
de aparelhos em mim, o anestesista se aproximou e começou a conversar comigo
assuntos banais, apenas para disfarçar que ele já estava injetando a anestesia
no soro e que dentro de alguns instantes eu não veria mais nada.
Me recordo que antes de
¨apagar¨ consegui identificar os olhos do meu médico Dr. José Augusto que
segurou mais uma vez a minha mão, e disse que eles iriam trabalhar mas era Deus
que iria operar.
Reflexão:
Muitas vezes precisamos nos
desnudar de pertences que não agregam valor à nossas vidas para darmos
importância ao que realmente tem valor.







2 comentários:
Como a vida é preciosa não é ?bjsssss
Realmente, precisamos valorizar cada instante de nossa vida.
Postar um comentário