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terça-feira, 7 de janeiro de 2014

O Centro Cirúrgico





Depois daquela noite agitada, conforme relatei no artigo anterior ¨Não Houve o dia Seguinte¨, chegou a minha hora.

Após a limpeza do quarto, retornarmos para suas respectivas camas e não demorou muito para que uma enfermeira se aproximasse e me dissesse que iria aplicar um remédio no soro e que minha cirurgia iria acontecer as 10hs.

Minha irmã e cunhada, após o impacto da notícia sobre a morte da Rita na noite anterior estavam tensas e preocupadas, afinal eu iria ser submetida a uma cirurgia importante.

Quando pensamos em cirurgia, remetemos os pensamentos ao Centro Cirúrgico e é para lá que eu iria dali a algumas horas.

Nunca havia sido submetida a uma cirurgia de grande proporção e portanto não fazia a menor ideia do que aconteceria neste tal Centro Cirúrgico, e por isso quero relatar agora a minha percepção para os que não tiveram, graças a Deus, a oportunidade de conhecer.

Sai do quarto de cadeiras de rodas direto para o Centro Cirúrgico, minha irmã e cunhada me acompanharam até lá.

Meu coração batia forte pois não fazia a mínima ideia do que me esperava. Chegamos em uma antessala pequena com televisão e cadeiras, onde era o limite para os acompanhantes que poderiam permanecer ali para obterem informações sobre o andamento da cirurgia.

Já dentro do centro cirúrgico, as enfermeiras me entregam um roupão e uma sacola plástica e solicitou que tirasse toda a minha roupa e pertence e colocasse naquela sacola plástica.

Quando iniciei aqueles movimentos de retirada das roupas, anéis, relógio, cordão com um pingente, pulseira e fui colocando um a um na sacola plástica tive um sentimento forte e acredito que fiquei uns longos e intermináveis segundos fazendo uma rápida retrospectiva de toda minha vida.

Após tudo colocado na sacola e entregue as enfermeiras, fiquei ali completamente nua e me sentindo muito vulnerável, como se tivessem tirado de mim toda minha proteção e eu estivesse exposta a todos os riscos imagináveis.

Fiquei pensando o que será que passa na cabeça das pessoas que estão naquela antessala e recebem apenas uma sacola plástica com os pertences de seus entes queridos?

A partir daquele momento, existe uma parede que separa você de tudo e de todos e não é mais possível abraçar, ou dizer palavras de carinho que por ventura deixaram de serem ditas antes de você entrar naquela sala. Não podemos esquecer que muitos não retornam e que o ultimo olhar e /ou palavras foram aquelas proferidas antes de entrar no Centro Cirúrgico.

Enfim não teria volta, tinha que caminhar em direção a maca, cheia de aparelhos e com muitos  médicos e enfermeiros me olhando e tentando dizer palavras de encorajamento.

Fiquei meio sem graça e tentei descontrair, mas a tensão e nervosismo era muito grande.

Olhei para aquela sala fria sem cores e muito bem aparelhada, a maca estava coberta por lençóis brancos e havia aproximadamente uns dez profissionais entre médicos e enfermeiros, todos vestidos de azul.

Pronto! Mal acabei de deitar na maca, todos começaram a trabalhar, após os técnicos instalarem aquele monte de aparelhos em mim, o anestesista se aproximou e começou a conversar comigo assuntos banais, apenas para disfarçar que ele já estava injetando a anestesia no soro e que dentro de alguns instantes eu não veria mais nada.

Me recordo que antes de ¨apagar¨ consegui identificar os olhos do meu médico Dr. José Augusto que segurou mais uma vez a minha mão, e disse que eles iriam trabalhar mas era Deus que iria operar.





Reflexão:

Muitas vezes precisamos nos desnudar de pertences que não agregam valor à nossas vidas para darmos importância ao que realmente tem valor.





2 comentários:

Como a vida é preciosa não é ?bjsssss

Realmente, precisamos valorizar cada instante de nossa vida.

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