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domingo, 14 de fevereiro de 2016

Após uma mastectomia, reconstruir ou não os seios?


Ao contrário de muitas mulheres corajosas que são submetidas a retirada da mama e imediatamente realizam a reconstrução, a exemplo da Angelina Jolie, eu me considero uma mulher cautelosa.


O impacto da mastectomia total no seio direito em 2003, me fez aguardar por quase 02 anos a intenção de realizar a reconstrução. Mesmo com a liberação dos médicos do ponto de vista clinico, eu me sentia insegura e com muito receio de retornar à um centro cirúrgico, pois na minha cabeça se fizesse isso o tumor poderia voltar.

Assim, por 02 anos fiquei apenas com um seio, utilizando artifícios para disfarçar os olhares críticos das pessoas, utilizava sutiãs e biquínis com um bojo adaptado, blusas com babados na frente entre outros truques, blusas justas e de alcinhas nem pensar. Era muito triste ir a uma loja gostar de determinadas blusas, experimentar e ao me olhar no espelho lembrar que  não poderia utiliza-la.

Porém a vida nos reserva várias surpresas e durante este meu período ¨sem peito¨ encontrei o grande amor da minha vida, este grande encontro eu comento no post O maridão, eu estava muito feliz e decidi seguir em frente sem olhar para trás e abandonar meus medos, assim aceitei encarar a cirurgia de reconstrução em maio/2005.

Após o planejamento e exames para a realização da cirurgia fui confiante para o centro cirúrgico. Durante o planejamento os médicos decidiram que iriam fazer a reconstrução mamaria utilizando retalho do músculo grande dorsal.

Abaixo a explicação técnica para este método:

Retalho do Músculo Grande Dorsal:
¨ Um fragmento de pele e músculo grande dorsal são retirados das áreas doadoras, que vão através de um duto até a região da mastectomia em que é usado para criar uma nova mama. Também pode ser utilizado implantes nestes casos em que o tecido não é suficiente.
Como este retalho é menor e mais fino ele geralmente é utilizado para reconstruir mamas pequenas, mesmo que utilizando um implante associado. Este procedimento leva em torno de três a cinco horas de cirurgia e o paciente permanece no hospital de dois a três dias.
O retorno às atividades rotineiras ocorre em torno de duas a três semanas. Pode ocorrer perda temporária ou definitiva da força muscular e dificuldade com a movimentação do dorso e ombro. A cicatriz que fica no dorso horizontal pode ser escondida pelo sutiã e biquíni. ¨

Em outras palavras, foi retirado o musculo principal e pele das minhas costas com o objetivo de formar o suporte para a prótese, este musculo foi transpassado por debaixo do meu braço direito e reposicionado para a formação da mama direita com a utilização de prótese.

Este procedimento implicou em muitos cortes e pontos nas minhas costas e seio, não sei nem precisar com quantos pontos eu sai do hospital, só sei que foram muitos, pois a mama ¨falsa¨ teve que ser 100% reconstruída e modelada.

Recebi alta do hospital depois de três dias, e fui para casa toda enfaixada e inchada carregando um dreno para expurgar as secreções das cirurgias. Minha experiência com o dreno eu conto no post O dreno e o Microporio.

Apesar do inchaço dava para perceber que os seios ficaram desalinhados, pois creio eu que durante a cirurgia de reconstrução da base zero não foi possível ajustar a assimetria entre eles.



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