Tão logo o dia amanheceu meus
irmãos Claudia e Sergio, chegaram ao meu quarto.
Em seguida entrou uma enfermeira
muito simpática que informou que estaríamos indo para o centro cirúrgico naquele
momento, pediu-me para retirar relógio, pulseira, cordão e que deixasse com
meus irmãos no quarto, foi até o ramal e pediu que enviassem uma cadeira de rodas.
Mais uma vez eu tive problemas e
dessa vez com a cadeira de rodas – Pra que cadeiras de rodas se eu poderia ir
andando? Gentilmente ela me explicou que todos os pacientes que são submetidos
a qualquer tipo de cirurgia no centro cirúrgico têm que ir de cadeiras de rodas
com um acompanhante do hospital, isto é uma regra. Sendo regra, respeitei.
(risos)
Sentei na cadeira de rodas, e o
rapaz responsável por conduzir os pacientes até o centro cirúrgico era uma
graça de pessoa, foi brincando de carrinho comigo pelos corredores do hospital
e dizendo que estava levando uma princesa para passear. Senti-me uma criança
naquela hora.
Chegando ao centro cirúrgico havia
uma antessala em que uma enfermeira já estava a minha espera, fui orientada a
tirar toda a roupa e vestir um jaleco verde com amarrações nas costas ( isso
mesmo, aquele horroroso que não tampa nada....risos)
Na pequena sala do centro cirúrgico
me deparei com meu médico Dr. José Augusto e outro médico que não me recordo o
nome agora, a sala era toda equipada com muitos aparelhos esquisitos, um grande
holofote de luz em cima da cama, e do lado havia aquele ¨treco¨ que mede os
batimentos cardíacos e varias outras coisas que também não saberia identificar.
Após o reconhecimento visual do local, me
deitei na cama e fiquei esperando as próximas orientações. Um anestesista se
aproximou de mim, e começou a conversar e disse que iria aplicar uma anestesia
na minha veia apenas para me deixar meio sonolenta, não demorou nem um segundo e
eu já não estava entendendo nada do que estava acontecendo ao meu redor.
Em determinado momento, ainda
grogue escutava a voz do Dr. José Augusto bem longe....dizendo: – Veja como é ¨caracachento¨ e muito áspero,
precisamos fazer....... nesta parte dormi de novo.
Não sei quanto tempo depois, ainda meio sonolenta eu tentava abrir os olhos e ouvir o que ainda estava acontecendo, e me recordo de
uma cena em que havia uns quatro médicos diante de um quadro olhando para
algumas chapas que parecia um raio X,
eles estavam todos de costas para mim. Dormi de novo....
Dessa vez, acordei e ouvi
bem nítido o Dr. José Augusto me dizer:
- Olá Claudilene, acabamos e
vamos te levar para o quarto. Você tem alguém te acompanhando? Respondi: Sim, meus irmãos.
A última coisa que ouvi antes de
dormi novamente foi o Dr. José Augusto pedindo a enfermeira para localizar meus
irmãos.
Levaram-me para o quarto e ao
chegar não vi meus irmãos.
Fiquei naquela agonia, dorme,
acorda, dorme, até que consegui firmar meus olhos e vi minha irmã Claudia ao
meu lado, passando as mãos em meu cabelo e com o rosto inchado de tanto chorar
( sabe como é né, rico quando chora enxuga as lagrimas com um lencinho e
ninguém nem percebe, agora já o pobre.... fica com a cara toda amassada e o
nariz então?! Desculpem-me mas eu disse a minha irmã que não iria perder a
piada neste ponto do blog). Hahahaha . Continuando...
Ela apenas conseguia dizer: Você terá que ser
muito forte!
Não demorou muito, entrou no
quarto meu médico Dr. José Augusto e outro médico que me parecia residente.
Como sempre muito firme e prático,
o Dr. José Augusto segurou na minha mão respirou fundo e disse:
- Infelizmente é câncer e está na
fase inicial, porém precisamos operar rápido, pois é um tipo raro de tumor e esta
com 3 cm.
Fez-se um silêncio, e como eu não
disse nada e apenas continuava olhando para ele, ele continuou:
- Provavelmente teremos que fazer
uma mastectomia total do seio direito.
Nesta hora senti rolar uma
lágrima no meu rosto e me veio uma força que não sabia de onde, e olhando firme
nos olhos dele consegui dizer apenas as seguintes palavras:
- Dr. José Augusto eu quero
VIVER, e então FAÇA o que precisa ser FEITO.
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O que aconteceu na antessala com
meus irmãos.
Após alguns anos, meus irmãos me
contaram que naquele dia:
Enquanto os enfermeiros me
preparavam para levar para o quarto, o
Dr.José Augusto chamou os dois na antessala e deu a notícia, dizendo que se
tratava de um câncer raro, e que infelizmente teria que retirar todo o seio
direito, pediu que eles se preparassem para me amparar, pois assim que eu
chegasse no quarto ele me daria a noticia . Segundo relatos da minha irmã, ela
não acreditou, brigou com o médico e não aceitava de jeito nenhum. Meu irmão
Sergio também entrou em pânico e tiveram que serem amparados por uma
enfermeira.
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Reflexão:
Por mais que estejamos ou
pensamos estar preparados para noticias ou situações difíceis, o chão nos falta
nesta hora, e a ÚNICA coisa que posso garantir é que quando isso acontece e a
gente desaba, DEUS nos acolhe em seus braços e nos carrega.







2 comentários:
Tenho neste texto a considerar dois detalhes ,primeiro ...olhos inchados de chorar não é de pobre !Ssegundo eu seria e sou capaz de brigar com quem fosse necessário para não ver aqueles que amo sofrer.O que lamentei naquele momento foi não poder estar em seu lugar .Te amo incondicionalmente.querida irmã .
Mana, o amor que sinto da minha família é que me faz ter forças para enfrentar tudo isso. Beijocas
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