O dia amanheceu e meus outros irmãos iriam continuar conduzindo
as ações práticas do ¨dia seguinte ao assalto¨, tais como Boletim de
Ocorrência, identificar o que mais foi roubado etc. Eu, minha irmã Claudia e
meu irmão Sergio fomos para o hospital ainda assustados com a noite anterior.
Na recepção do Hospital Santa
Rita na ala do SUS, demos entrada nos documentos e fui identificada com uma
fita no pulso esquerdo e encaminhada para um quarto coletivo, que se não me
engano era no 3º andar. Fomos informados que o procedimento seria feito logo
pela manhã, o que não aconteceu, e lá ficamos a tarde toda até que uma
enfermeira veio e informou que o procedimento iria ser realizado apenas no dia
seguinte, e que eu não poderia ter acompanhante, meus irmãos até que tentaram
ficar mais sem sucesso.
Convencidos eles foram embora,
prometendo voltar no dia seguinte pela manhã, isto era por volta das 17:00hs. Fiquei
ali naquele quarto junto com mais duas senhoras, que já havia se submetido a
algum tipo de cirurgia e eu ali no leito da parede ¨sem nada¨, a não ser uma fita de paciente no
pulso. Fiquei pensando.... o que eu vou ficar fazendo aqui até de manhã? Havia
levado um livro, mas estava sem cabeça para ler depois de tudo que aconteceu. Olhei para as paredes, para aquelas senhoras ao
meu lado e me recusei a ficar deitada, havia uma cadeira próxima a janela e lá
fiquei durante um bom tempo, e toda vez que as enfermeiras entravam para dar
remédios as minhas colegas de quarto, perguntavam em tom muito frio:
– Cadê a paciente dessa cama?
E eu toda sem graça levantava o
dedo dizendo que era eu, na sequencia vinha a pergunta?
– O que você tem? Por que esta
internada?
Eu apenas respondia:
- Vim fazer uma biopsia.
As enfermeiras olhavam para mim,
com cara de indignação e diziam em voz alta:
- Que absurdo você foi internada
para FAZER UMA BIOPSIA?!
...como se
eu que quisesse estar ali e/ou pedido para ser internada.... Eu ficava com
uma raiva delas que vocês nem imaginam.
Fui ficando chateada com aquela
situação e resolvi andar pelo hospital. Dois quartos após o meu vi uma
adolescente com a cabeça raspada e um
sorriso muito simpático, resolvi entrar e me aproximei da cama dela, seu nome era Aline, tinha leucemia e estava internada no Hospital Santa Rita já
havia 03 meses.
Ela era uma menina muito alegre e
divertida e como gosto muito de conversar, fiquei ali mais ou menos uma hora
conversando com ela e no meio da conversa ela me disse que toda terça-feira às
20:30hs, havia um grupo de voluntários da música que tocavam MPM no auditório do hospital, e me perguntou se
eu não topava ir com ela, nem precisa dizer que topei na hora. Afinal estava
ali a toa ( isso na minha cabeça né?)
Fui para meu quarto com o ¨rock¨
da noite combinado e lá chegando minhas colegas de quarto que não eram de muita
conversa, foram logo me avisando: – As
enfermeiras estão te procurando para dar remédio. Pensei: Que remédio? Não tenho nada.
Não demorou muito a ¨simpática¨
enfermeira chegou, me disse que minha biopsia estava marcada para as 8:00hs da
manhã seguinte e que eu deveria tomar um remédio para me preparar logo após o
jantar.
Chegou o jantar, como não estava com muita
fome e a comida não animava muito, belisquei e fui tomar um banho, afinal eu
tinha compromisso as 20hs. Estava toda animadinha e dessa vez resolvi deitar na
cama, para parecer uma boa menina e não ter problemas com as enfermeiras. O que
eu não sabia era que o tal remédio seria aplicado no soro e pingaria lentamente.
Eu olhava para o soro no tripé pingando lentamente e olhava para minha mão.
Fiquei sem saber o que fazer, como eu iria para o ¨show¨? Para minha surpresa,
faltando uns 10 minutos para as 20:00hs, vi a Aline entrando no meu quarto de
pijama, segurando o suporte do soro com
uma das mão, e olhando indignada para
mim disse: - AINDA está deitada? Não vamos?
Olha, aquilo me deu uma força
danada, pois vi a Aline ali toda fragilizada por causa do tratamento,
entretanto animada, e eu ali ¨SEM NADA¨
querendo desistir. Rapidamente, pulei da cama segurei meu suporte e fomos nós duas de pijama pelos
corredores a fora, morrendo de rir uma da cara da outra e assim chegamos no
auditório. Entramos em um auditório com apenas uns 08 pacientes, nos sentamos e um grupo de músicos jovens iniciaram o show que durou aproximadamente 1 hora, e uma
das musica que lá ouvi e marcou muito a minha vida é aquela do Gonzaguinha:
Viver!
E não ter a vergonha
De ser feliz
Cantar e cantar e cantar
A beleza de ser
Um eterno aprendiz...
E não ter a vergonha
De ser feliz
Cantar e cantar e cantar
A beleza de ser
Um eterno aprendiz...
Sei que Eu e Aline cantamos e nos
divertimos muito naquela noite.
Reflexão:
Mesmo que vocês sejam
surpreendidos por coisas ruins, pessoas negativas, situações que pareçam ser o
fim do poço, lembrem-se: Sempre haverá pessoas boas e com atitudes louváveis
que fará você esquecer tudo isso e dar a volta por cima. São os anjos que Deus
coloca na vida da gente, a Aline naquela noite foi um deles.
Ouça a música completa clicando abaixo:
Viver e não ter a vergonha de ser feliz!






2 comentários:
Me sinto orgulhoso de fazer parte da vida desta mulher.
Foi Deus que colocou você na minha vida, te amo! Beijos
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