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domingo, 24 de novembro de 2013

Que absurdo, internar para fazer uma BIOPSIA




O dia amanheceu e  meus outros irmãos iriam continuar conduzindo as ações práticas do ¨dia seguinte ao assalto¨, tais como Boletim de Ocorrência, identificar o que mais foi roubado etc. Eu, minha irmã Claudia e meu irmão Sergio fomos para o hospital ainda assustados com a noite anterior.
Na recepção do Hospital Santa Rita na ala do SUS, demos entrada nos documentos e fui identificada com uma fita no pulso esquerdo e encaminhada para um quarto coletivo, que se não me engano era no 3º andar. Fomos informados que o procedimento seria feito logo pela manhã, o que não aconteceu, e lá ficamos a tarde toda até que uma enfermeira veio e informou que o procedimento iria ser realizado apenas no dia seguinte, e que eu não poderia ter acompanhante, meus irmãos até que tentaram ficar mais sem sucesso.
Convencidos eles foram embora, prometendo voltar no dia seguinte pela manhã, isto era por volta das 17:00hs. Fiquei ali naquele quarto junto com mais duas senhoras, que já havia se submetido a algum tipo de cirurgia e eu ali no leito da parede  ¨sem nada¨, a não ser uma fita de paciente no pulso. Fiquei pensando.... o que eu vou ficar fazendo aqui até de manhã? Havia levado um livro, mas estava sem cabeça para ler depois de tudo que aconteceu.  Olhei para as paredes, para aquelas senhoras ao meu lado e me recusei a ficar deitada, havia uma cadeira próxima a janela e lá fiquei durante um bom tempo, e toda vez que as enfermeiras entravam para dar remédios as minhas colegas de quarto, perguntavam em tom muito frio:
 – Cadê a paciente dessa cama?
E eu toda sem graça levantava o dedo dizendo que era eu, na sequencia vinha a pergunta?
– O que você tem? Por que esta internada?
Eu apenas respondia:
- Vim fazer uma biopsia. 
As enfermeiras olhavam para mim, com cara de indignação e diziam em voz alta:
- Que absurdo você foi internada para FAZER UMA BIOPSIA?!
 ...como se  eu que quisesse estar ali e/ou  pedido para ser internada.... Eu ficava com uma raiva delas que vocês nem imaginam.
Fui ficando chateada com aquela situação e resolvi andar pelo hospital. Dois quartos após o meu vi uma adolescente com a cabeça raspada e  um sorriso muito simpático, resolvi entrar e me aproximei da cama dela,  seu nome era Aline,  tinha leucemia e  estava internada no Hospital Santa Rita já havia 03 meses. 
Ela era uma menina muito alegre e divertida e como gosto muito de conversar, fiquei ali mais ou menos uma hora conversando com ela e no meio da conversa ela me disse que toda terça-feira às 20:30hs, havia um grupo de voluntários da música que tocavam  MPM no auditório do hospital, e me perguntou se eu não topava ir com ela, nem precisa dizer que topei na hora. Afinal estava ali a toa ( isso na minha cabeça né?)
Fui para meu quarto com o ¨rock¨ da noite combinado e lá chegando minhas colegas de quarto que não eram de muita conversa, foram logo me avisando:  – As enfermeiras estão te procurando para dar remédio.  Pensei: Que remédio? Não tenho nada.
Não demorou muito a ¨simpática¨ enfermeira chegou, me disse que minha biopsia estava marcada para as 8:00hs da manhã seguinte e que eu deveria tomar um remédio para me preparar logo após o jantar.
 Chegou o jantar, como não estava com muita fome e a comida não animava muito, belisquei e fui tomar um banho, afinal eu tinha compromisso as 20hs. Estava toda animadinha e dessa vez resolvi deitar na cama, para parecer uma boa menina e não ter problemas com as enfermeiras. O que eu não sabia era que o tal remédio seria aplicado no soro e pingaria lentamente. Eu olhava para o soro no tripé pingando lentamente e olhava para minha mão. Fiquei sem saber o que fazer, como eu iria para o ¨show¨? Para minha surpresa, faltando uns 10 minutos para as 20:00hs, vi a Aline entrando no meu quarto de pijama, segurando o suporte do soro  com uma das mão,  e olhando indignada para mim disse: - AINDA está deitada? Não vamos?
Olha, aquilo me deu uma força danada, pois vi a Aline ali toda fragilizada por causa do tratamento, entretanto animada,  e eu ali ¨SEM NADA¨ querendo desistir. Rapidamente, pulei da cama segurei  meu suporte e fomos nós duas de pijama pelos corredores a fora, morrendo de rir uma da cara da outra e assim chegamos no auditório. Entramos em um auditório com  apenas uns 08 pacientes, nos sentamos e um  grupo de músicos jovens iniciaram o  show que durou aproximadamente 1 hora, e uma das musica que lá ouvi e marcou muito a minha vida é aquela do Gonzaguinha:

Viver!
E não ter a vergonha
De ser feliz
Cantar e cantar e cantar
A beleza de ser
Um eterno aprendiz...
Sei que Eu e Aline cantamos e nos divertimos muito naquela noite.

Reflexão:


Mesmo que vocês sejam surpreendidos por coisas ruins, pessoas negativas, situações que pareçam ser o fim do poço, lembrem-se: Sempre haverá pessoas boas e com atitudes louváveis que fará você esquecer tudo isso e dar a volta por cima. São os anjos que Deus coloca na vida da gente, a Aline naquela noite foi um deles. 

Ouça a música completa clicando abaixo:
Viver e não ter a vergonha de ser feliz!

2 comentários:

Me sinto orgulhoso de fazer parte da vida desta mulher.

Foi Deus que colocou você na minha vida, te amo! Beijos

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