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segunda-feira, 11 de novembro de 2013

O Sem noção



No  artigo ¨A descoberta do tumor¨ , mencionei que fiquei sem saber o que fazer com o encaminhamento para o hospital Santa Rita, e até que eu marcasse a minha ida ao hospital fiquei andando de um lado para o outro, com aquela suspeita horrorosa e pensei... Preciso compartilhar isto com alguém, senão vou enlouquecer daí resolvi ligar para o até então namorado.
Vou dedicar aqui algumas linhas ao ¨namorado¨ para que sirva de reflexão nas próximas linhas. Pois bem, ¨o namorado¨ fazia parte da minha vida a 02 anos e era aquela pessoa que a maioria das mães pedem a Deus para sua filha, .... Financeiramente estabilizado, engenheiro da Petrobrás, doutorado em Harward,  livre e desimpedido, enfim o tal ¨ bom partido ¨ .
O telefone tocou no Rio de Janeiro e eu do Espírito Santo, iniciei a conversa com muito cuidado e com um nó na garganta, e após as conversas preliminares de Como você está? Trabalhando muito? Está chovendo por ai?  Engatei a conversa sobre o que andei fazendo nos últimos dias, informei sobre o encaminhando ao Hospital Santa Rita e a minha preocupação sobre a possibilidade de estar com câncer de mama.
Do outro lado da linha, fez-se um silencio interminável e depois de segundos que para mim foram horas,  ouvi a seguinte e ultima frase:

- Não se preocupe, vai dar tudo certo.

A ligação foi encerrada, sem eu saber se a linha havia caído ou se ele desligou, e esta foi a ultima frase que ouvi do  ¨namorado perfeito¨  e até hoje ele não sabe se estou viva ou morta pois ali terminou nosso namoro.


Fiquei segurando o telefone, por uns instantes me sentindo a pior pessoa do mundo e com a sensação de que falar a palavra câncer de mama fosse contagioso.

Reflexão:
Muitas mulheres são desprezadas e até mesmo abandonadas diante de um diagnostico como este, entretanto deixo algumas reflexões:

- Será que conhecemos e amamos verdadeiramente as pessoas que estão ao nosso lado? 
- Quais são os valores que cultivamos e queremos encontrar na nossa cara metade?



Eu aprendi que naquele momento Deus estava me dando um livramento e segui em frente.....

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